Enquanto Andrey e Fernanda estavam imersos no momento, o som de passos na escada chamou a atenção deles. Fernanda se virou e congelou ao ver quem estava ali: Rodrigo, seu ex-namorado, parado, olhando para eles com uma mistura de raiva e incredulidade. Atrás dele, Thais passava apressada, fingindo não ter notado a cena, mas Rodrigo permaneceu, como se o mundo tivesse parado ao seu redor.
“O que significa isso, Fernanda?” Rodrigo perguntou, sua voz grave cortando o silêncio.
Fernanda ficou sem palavras, como se fosse pega fazendo algo errado. Ela recuou um pouco, e Andrey, confuso, imediatamente se colocou na frente dela, como um escudo.
“Quem você pensa que é, moleque?” Rodrigo provocou, claramente tentando intimidá-lo. Sua presença era marcante: alto, musculoso, com um visual que gritava confiança. Andrey, embora não fosse pequeno, parecia menor ao lado dele, mas não se deixou abalar.
“Quem você pensa que é?” Respondeu Andrey, firme. “Você não tem direito de cobrar nada aqui.”
O tom seguro de Andrey chamou atenção das pessoas ao redor, que começaram a formar um pequeno círculo em torno deles. O ambiente ficou tenso, e a expectativa de uma briga parecia crescer.
Nesse momento, John apareceu, percebendo a confusão. “Está tudo bem aqui?” Perguntou, colocando-se ao lado de Andrey. Outros amigos deles também começaram a se aproximar, formando uma linha de apoio que fez Rodrigo hesitar.
Rodrigo, vendo que a situação não estava a seu favor, deu um passo para trás. “Isso não vai ficar assim, Fernanda,” disse antes de se virar e entrar na balada.
Andrey se virou para Fernanda, esperando que ela dissesse algo, mas tudo que viu foram os olhos dela marejados.
“Eu preciso ir embora,” disse Fernanda, se levantando rapidamente.
“Fernanda, espera,” Andrey tentou segurá-la pelo braço, mas ela se soltou e saiu andando apressada, deixando-o para trás sem mais explicações.
No dia seguinte
Andrey passou a manhã tentando entender o que havia acontecido. Ele enviou várias mensagens para Fernanda:
“Oi, você está bem?”
“Quer conversar sobre ontem?”
Mas nenhuma delas teve resposta. Ela apenas visualizava, sem responder.
Depois do almoço, Andrey decidiu que precisava resolver aquilo pessoalmente. Pegou as chaves do carro e dirigiu até o prédio de Fernanda. Quando chegou, apertou o botão do interfone do apartamento 12.
“Quem é?” Fernanda perguntou, com a voz fria.
“Sou eu, Andrey,” respondeu ele.
“Vai embora,” ela disse, ríspida, como se quisesse encerrar a conversa ali.
“Como assim? Não vamos falar sobre ontem?” Andrey insistiu, sem entender por que ela estava se afastando tão abruptamente.
Ele ouviu um breve silêncio, como se ela estivesse considerando responder, mas antes que pudesse dizer algo, outra voz surgiu ao fundo, uma voz masculina, carregada de sarcasmo e desdém:
“Quem é? É o trouxa de ontem?”
Andrey congelou por um momento, o sangue esquentando instantaneamente. “Rodrigo está aí?” Ele perguntou, incrédulo, sentindo a raiva se misturar à decepção.
O interfone ficou mudo, e Andrey soube que ela havia desligado. Ele ficou parado ali por alguns segundos, tentando decidir o que fazer. Queria respostas, mas também sabia que forçar algo não adiantaria.
Ele deu meia-volta, frustrado, mas determinado a não deixar aquilo assim. Algo estava errado, e ele precisava entender o que realmente estava acontecendo com Fernanda – mesmo que isso significasse confrontar novamente o passado que parecia não os deixar seguir em frente.
Andrey estava desolado com a situação com Fernanda. Pensou em buscar conselhos com Larissa ou John, mas não o fez. Teve uma ideia melhor, que talvez fosse a pior ideia possível, foi até Thais. A encontrou na saída da faculdade. Thais ficou surpresa com encontro. “Eu não sei o porquê, mas não estou surpresa.” Disse ela com sarcasmo. “Você tem talento para escolher sempre a garota errada, né?” Ela provocou. “O que eu posso fazer, é um dom. Eu acho…” Respondeu Andrey sem ceder a provocação. “Além disso, como eu vou saber quem é a garota certa?” Argumentou Andrey, esperando uma investida típica de Thais, que não decepcionou. “talvez a garota certa esteja enjoada de você. Talvez a garota certa seja aquela que você procura no dia seguinte, depois de uma confusão.” Rebateu Thais. “Acho que você tem toda a razão, deve ser por isso que a primeira coisa que eu fiz hoje foi ir até a casa da Fernanda.” Concluiu Andrey. “Para estar aqui, talvez a garota não era realmente a certa.” Provocou Thais. “Talvez você esteja certa de novo” Disse Andrey, desanimado. “Sabe dizer qual é a deles? Principalmente desse Rodrigo?” Questionou. “Bom, você deve saber que eles são um casal faz tempo, né? Mas eles ficam indo e voltando, eu soube que na última sexta eles terminaram de novo, Mas hoje já devem ter reatado, como sempre. Se quer um conselho, espere. Deixa a semana passar, vai até a casa na sexta-feira. Ele provavelmente vai ter terminado com ela de novo para sair comigo no fim de semana. No fim das contas ele até que é bem honesto.” As palavras de Thais eram muito reveladoras, Andrey tentava esconder seu descontentamento, e apenas assentiu e respondeu. “Obrigado pelo conselho, conto com você para esse namoro terminar na sexta feira. E foi embora a seguir. A semana passou se arrastando, Andrey segurou ao máximo sua ansiedade enquanto mergulhava em seu trabalho. Finalmente chegou sexta-feira. Andrey foi até a casa de Fernanda. Apertou o 12 com força. “Quem é?” Perguntou uma voz claramente chorosa. “Sou eu, Andrey, me deixa subir” Respondeu. Ela abriu o portão e ele entrou. A porta já estava aberta e ela estava em seu sofá, chorando. Parecia que estava ali havia algum tempo já. O rosto estava todo vermelho, assim como os olhos.
Andrey hesitou por um momento, mas sabia que precisava falar o que estava entalado. Ele suspirou profundamente, olhando para Fernanda, que continuava soluçando ao seu lado no sofá.
“Você parece que se faz de boba e ainda tenta me fazer de bobo junto,” começou, com a voz firme, mas sem agressividade. “Esse tempo todo em que conversamos, saímos e nos conhecemos… você sempre sumia durante a semana e só me procurava no fim de semana. Não precisa dizer nada. Eu já entendi. Você nunca realmente se separou do Rodrigo, não é?”
Fernanda abaixou o olhar, envergonhada, mas não respondeu.
“Você entende como isso é patético? Para mim, porque fui exatamente o que o Rodrigo disse: o trouxa. E para você também, porque a falsidade te persegue. Olha só, o amor da sua vida já pegou sua melhor amiga!”
Fernanda levantou o rosto ao ouvir aquilo, com uma expressão entre surpresa e dor, mas Andrey continuou antes que ela pudesse falar.
“Talvez você pense: ‘pelo menos ele é honesto’. Porque ele termina com você na sexta, faz o que quer no fim de semana, e na segunda-feira ele volta como se nada tivesse acontecido. Mas sabe o que é pior? Você aceita isso. Seu namorado é um bundão, Fernanda. E você nem gosta tanto assim dele. Mas, pior ainda, você é igualmente covarde.”
Fernanda começou a chorar ainda mais intensamente, suas mãos cobrindo o rosto como se quisesse desaparecer.
“Me parte o coração te ver chorar por alguém como ele, e mais ainda ver que sua vida é cheia de ilusões,” Andrey disse, sua voz agora mais baixa e pesada. Ele passou as mãos pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos, mas a frustração ainda estava estampada no rosto.
“Eu não vim aqui para te humilhar,” continuou, em um tom mais suave. “Vim porque achei que você merecia algo melhor… que nós talvez merecêssemos algo melhor. Mas a verdade é que você precisa entender o que quer da sua vida antes de colocar qualquer outra pessoa nela.”
Fernanda finalmente falou, sua voz fraca e trêmula: “Eu… eu sei que tudo isso é verdade, mas… eu não sei como mudar. Eu me sinto presa.”
Andrey balançou a cabeça, tentando conter a empatia que ainda sentia por ela. “Fernanda, você é a única pessoa que pode se libertar disso. Se continuar esperando que ele mude ou que as coisas simplesmente se resolvam sozinhas, vai acabar assim, chorando no sofá, sempre.”
Ela olhou para ele, agora com um pouco mais de clareza nos olhos. “E nós? O que isso significa para nós?”
Andrey deu um leve sorriso amargo. “Eu não sou a solução dos seus problemas. E você também não é a minha. Acho que precisamos de tempo… talvez distância. Mas você precisa resolver as coisas com você mesma antes de tentar qualquer outra coisa. Comigo ou com qualquer um.”
Fernanda assentiu lentamente, como se finalmente estivesse entendendo.
Andrey se levantou, olhando para ela uma última vez. “Eu me importo com você, Fernanda. Mas se você não se importar consigo mesma, nada disso importa.”
Ele saiu do apartamento, deixando Fernanda sozinha com suas lágrimas e suas escolhas. Enquanto descia as escadas, sentia uma mistura de tristeza e alívio. Ele sabia que havia feito o certo, mas também sabia que aquilo deixaria marcas em ambos.
Naquela noite, de volta ao seu apartamento, Andrey pegou o telefone e enviou uma única mensagem para Fernanda:
“Espero que você encontre o que está procurando. Você merece isso.”
Sem esperar resposta, desligou o telefone e olhou para o teto, pensando no que faria a partir dali.
PRÓXIMO CAPÍTULO
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